Buscar
  • papodesign

Frente UFF

Por Helena Gomes

O post de hoje trata do assunto do #Quintou17: Frente UFF


O assunto é Covid-19, só que de um jeito diferente. Dia 8 de maio é aniversário da Cruz Vermelha e, assim, buscamos um aluno da UFF voluntário na Cruz Vermelha para falar sobre como tem sido seu trabalho na época de pandemia. Além disso, convidamos outro aluno, graduando em Desenho Industrial, envolvido com o projeto Frente UFF. Vamos conferir os depoimentos?


“Meu nome é Vitor Hugo Fagassio, sou voluntário da Cruz Vermelha Brasileira, mas também sou graduando em História da UFF. Em tempos de tranquilidade na Cruz Vermelha Brasileira, eu trabalho junto ao Centro de Memória e Documentação, mantendo a história e sempre colaborando para a nossa documentação. Em tempos mais conturbados, como o que estamos vivendo hoje, eu faço parte da Logística, ajudo com o trabalho de transporte, de acomodação de doações e de outros materiais humanitários.


A resposta da Cruz Vermelha hoje está pautada nas orientações da OMS, nos valores do Movimento Internacional da Cruz Vermelha, do Crescente Vermelho e no trabalho em conjunto com o Ministério da Saúde. Além disso tudo, nosso trabalho em campo é focado em atenuar o sofrimento humano. Então de ajuda psicológica, de atuação junto a enfermeiros, médicos, doações, produção de álcool em gel, tudo isso que é parte formativa do front, hoje, também faz parte do trabalho da Cruz Vermelha.


É uma instituição que nasceu voltada para os momentos de crise e que para em momentos de paz, nós pudéssemos colaborar e ajudar a manter a dignidade humana. Apesar disso tudo, a atuação tem sofrido alguns baques, pelas questões do tipo de problema que estamos enfrentando. Como a base da Cruz Vermelha Brasileira é o voluntariado, são seus voluntários, a impossibilidade de haver aglomerações ou de tentar reduzi-las ao máximo, faz com que nós tenhamos menos possibilidade de empregar o voluntário. Mas ao mesmo tempo, em momentos como esse, o trabalho do voluntário é essencial e indispensável.


Dia 8, comemora-se mais um aniversário da Cruz Vermelha Internacional, o que é um marco para todo sistema internacional, para história do Brasil e para história dos momentos de dificuldade. E mais uma vez, a Cruz Vermelha Brasileira e o movimento internacional se fazem presentes junto às nações e aqueles que mais necessitam. Não é atoa que o nosso lema é ‘Aliviar o sofrimento humano através do meio que nós disponibilizamos’. Fiquem em casa, que estamos prontos.”


- Vitor Hugo Fagassio, graduando em História da UFF e voluntário da Cruz Vermelha.



“Meu nome é Weslie e eu sou do 7º período do curso de Desenho Industrial, da Universidade Federal Fluminense, e eu vou falar um pouco para vocês sobre o projeto Frente UFF. Ele nada mais é que uma iniciativa multidisciplinar que começou na Escola de Engenharia. Nesse projeto temos inúmeros cursos: Engenharias Mecânica, Elétrica, Produção, Ambiental, Desenho Industrial, Física, Química, Biologia, Medicina, Enfermagem, todos trabalhando para atender as demandas do sistema público de saúde. Nós temos vários projetos, alguns em desenvolvimento, alguns já estão prontos, outros são projetos futuros, e eu vou falar um pouco para vocês.


Nosso principal projeto agora é o Face Shield, que é um EPI (Equipamento de Proteção Individual), para os profissionais de saúde. A função dele basicamente é um suporte com um visor transparente que vai evitar que os aerossóis, lançados no ar pelos pacientes com Covid-19, cheguem até o profissional da saúde. É o equipamento que mais está demandando atualmente, então é o que a gente mais produz. A gente chega a produzir 50 Face Shields por dia, lá na fábrica da UFF, que é na Escola de Engenharia. Esses visores, são em PetG, que é um tipo de plástico parecido com acetato e esse suporte é impresso em 3D. Cada suporte é impresso em mais ou menos 2 horas, dependendo do tipo da impressora, e é o que mais sai. Temos outros projetos como por exemplo, a máscara de pano, que está sendo feita pelas costureiras voluntárias, próximo do Hospital Antônio Pedro, e nós já entregamos mais de 1000 dessas. Os Face Shields em torno de 1000 também. Nós estamos atendendo cerca de 50 instituições aproximadamente, enquanto os pedidos estão na casa dos 20000, para todo estado do Rio de Janeiro.


Nós temos trabalhado contra o tempo para poder atender os pedidos, então no nosso site, a instituição pode estar entrando em contato para fazer o pedido, de uma remessa, de um lote do Face Shield, e a gente tem entregado aos poucos e por setor. Porque se a gente for atender a instituição inteira, a gente não consegue. O processo de impressão demora, a gente não tem uma linha produção produzindo o tempo todo e é um processo demorado.


Um outro projeto também, que está em fase de testes finais, é um Y, que nada mais é que um produto que você coloca no respirador e você consegue duplicar a capacidade do respirador. É um projeto muito interessante, principalmente agora que nós estamos entrando em colapso, porque ele contém duas válvulas para você regular a pressão de ar, para cada paciente. Você tem o T, que também tem a mesma função, só que para crianças e neonatal. Também temos um respirador, que também está em fase de teste, mecânicos e elétricos, que basicamente, são duas hastes que vão pressionar aquela bolsa de ar, chamado Ambu, bombeando ar através do tubo e colocando esse Y, você consegue atender dois pacientes.


Além disso, temos uma cabine para auxiliar nesse processo de intubação e desintubação, porque nesse processo que você coloca ou tira o paciente de um respirador, ele acaba liberando esse aerossóis contendo o vírus, então você precisa proteger os médicos fazendo esse processo. É uma espécie de caixa em acrílico que vai proteger o profissional da saúde.


Tudo isso já está em desenvolvimento e algumas coisas já estão em testes finais, prontas para serem fabricadas. A maioria dos processos envolve costura, impressão 3D, entre outras coisas. Contamos bastante com as doações, porque são processos caros, uma impressora 3D é algo caro, infelizmente, no momento nós temos cerca de 10 impressoras funcionando sem parar. A gente busca mais, temos parceria com algumas empresas, várias doações de pessoas físicas, de microempreendedores, que estão nos ajudando bastante. Existem alguns editais abertos em que estamos concorrendo também. A gente precisa desse investimento, para poder fazer e atender essa demanda. Nós também contamos com os nossos voluntários. Existe um link de cadastramento para voluntariado, então se você sabe costurar, tem uma impressora 3d em casa, tem como doar matéria prima (folha de PetG, por exemplo), filamento, a gente tá recebendo também. E se você puder ajudar de alguma forma e está querendo ajudar, ou quer receber os Face Shields na sua instituição, você pode entrar no nosso site frenteuff.org para ter todo o acesso a essas informações e links de acesso aos formulários.”


- Weslie Lospennato, aluno de Desenho Industrial e voluntário do Frente UFF.



Assista ao vídeo referente a esse conteúdo: https://www.instagram.com/tv/B_6DXHkgy-3/

1 comentário

 R. Passo da Pátria, 156 • São Domingos/Niterói

  • Instagram
  • Facebook
  • Behance
  • Youtube